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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pelo Direito de Não Ser a Mulher-Maravilha.

          Gente, eu tava com dois posts prontos aqui ensinando a cuidar dos cabelos pra vocês, mas li uma coisa que me deixou tão revoltada que teve que virar post antes aqui. Li num blog aí que eu não vou citar nem linkar sobre um suposto caso em que um cara ia pedir o divórcio pra mulher porque depois que eles casaram ela perdeu a vaidade, engordou, parou de ser a namorada sempre arrumada e cheirosa que ele tinha pra se tornar uma esposa e mãe que usa camisão de flanela durante a faxina. Segundo ele a vida sexual do casal foi reduzida a quase nada, e ele queria se divorciar.
          Por fim, o post acabou com uma série de "dicas" pras senhoras casadas manterem o interesse dos maridos. O cúmulo foi sugerir que a mulher acordasse 5 minutos antes do homem, escovasse o dente, arrumasse o cabelo e... voltasse pra cama. Dá licença pra eu chorar de rir?
          Não vou entrar na relevancia da vida sexual pra um casamento (nem qualquer relacionamento, na verdade), mas na pressão social que AINDA persiste em cima da mulher. Talvez essa moça do blog devesse sugerir que as mulheres fizessem faxina de lingerrie também. Pra começo de conversa, casamento, pra mim, é parceria. Então não vem dizer que a falta de interesse é sempre culpa de uma só das partes, porque não é. Tudo é via de mão dupla, você dá e recebe, e se não está dando certo é por culpa de ambas as partes.
           Mas, tocando diretamente no ponto que me incomodou: que obrigação é essa que a mulher tem de ser sempre perfeita? Essa visão Sex And The City de que a nossa unha sempre tem que estar feita, o cabelo impecável, lingerrie nova e libido lá em cima é impraticável. Primeiro por uma questão de tempo e dinheiro. Até mesmo a mulher que é dona de casa tem obrigações, tem trabalho pra fazer. E qualquer tratamento estético (mesmo o potinho de creme que você usa pra fazer sua hidratação em casa) custa dinheiro. Segundo, por conforto e praticidade. Lugar onde mulher usa taileur e salto 15 pra ficar em casa se chama novela das 8.
           De resto, a verdade é que TODO MUNDO tem seu momento zero glamour. Todo mundo tem aquela roupa velha, mas super confortável pra ficar em casa. Todo mundo tem que fazer algum tipo de atividade onde quanto mais despojado você estiver, melhor (faxina, oi?). E todo mundo tem mau hálito matinal e acorda com a cara amassada.
           Eu sou a favor da vaidade. Acho que toda PESSOA (não só as mulheres) tem que se cuidar. Até porque alguns aspectos da vaidade são intimamente ligados à higiene. Mas a mulher não é obrigada a ser perfeita. Nós temos o direito de deixar pra lavar o cabelo amanhã porque hoje está frio e a raiz não está pedindo socorro. Nós temos o direito de adiar a depilação por estar com preguiça. Nós temos o direito de devorar uma panela de brigadeiro vendo True Blood sem neuras. Porque depois, se o resultado de alguma dessas práticas incomodar, a gente corre atrás do prejuízo. E se não incomodar, o corpo é NOSSO.
           Moças, cuidem do cabelo, usem maquiagem, ligerrie bonita, se preocupem em usar roupas que caiam bem. Mas façam isso porque vocês gostam e se sentem bem assim. E se permitam sair de cara lavada quando der preguiça de se maquiar, abandonar a escova quando der preguiça de ficar esticando o cabelo, usar moletom quando der preguiça de montar um look legal. O lugar das mulheres perfeitas é nos anuncios, desfiles e televisão. Nós somos de verdade, com dores de verdade, compromissos de verdade. E não podemos ser tratadas como objeto.
          Se você está com um cara como o exemplo acima, foge amiga. Porque o relacionamento se pauta em sentimentos, vidas comuns. Se pauta e quem você é, no jeito como você ri, encara a vida, supera os problemas. Se pauta na sua verdade e personalidade, e não na sua cara ou na sua bunda.
           E podem me chamar de feminista, eu não ligo. Só não admito tratarem mulheres (e homens também) como objetos, em vez de como seres humanos.



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